Wednesday, December 23, 2009

Vésperas

Sempre gostei das vésperas, da ansiedade que provocam, da antecipada sensação de um gozo que virá. Virá? Pois é, muitas vezes o ato ou fato acaba decepcionando, não agrada, frustra. Mas isso nunca acontece com as vésperas! Ah! As vésperas são sempre saborosamente apreciadas, degustadas em todos os seus minutos.

Chegamos às vésperas do Natal desse 2009. Será um grande natal! Uma beleza!

E espero 2010, ansioso, por um novo e grande ano que logo virá...

Friday, January 16, 2009

Novas Ofensas Para Velhas Rixas

A ofensa mais grave do momento é acusar alguém de ser neoliberal. Talvez, pela análise do seu antônimo poderíamos chegar ao entendimento do que se quer atingir com essa expressão ofensiva. O antônimo de neoliberalismo seria algo como velhoconservadorismo?

Já houve época em que ser liberal era qualidade, não um defeito. Os tempos mudam! A verdadeira doutrina que se opõe ao neoliberalismo é o estatismo. Agora mesmo, sofremos com as consequências de uma política neoliberal na economia, responsável, segundo dizem, pela crise econômica que se abateu sobre a economia mundial.

O maior mal do neoliberalismo é o de privatizar lucros e estatizar prejuízos. As chamadas "crises sistêmicas" acabam explodindo sempre no bolso do cidadão, chamados a contribuir para sanar um mal que não criaram. Nos tempos de bonança esse mesmo cidadão é esquecido, privatizam-se os lucros.

Na outra ponta, o estatismo não deu certo em nenhum lugar do planeta. No mais das vezes serve como cabide de emprego para a "companheirada", para os membros do "partido". Quem paga a conta? O mesmo de sempre, o povo. Como é o caso aqui no Brasil, muito imposto e quase nenhum serviço.

A grande verdade é que ainda não apareceu o regime ideal; na maioria das vezes o que se vê é "o roto falando mal do descozido".

Thursday, January 08, 2009

Depois de vários estudos...

Depois de vários e aprofundados estudos, muitos cálculos, concentração e inspiração, os adivinhos, os divinatórios, os magos, os astrólogos, enfim, todos os que mexem com essa ciência pouco compreendida da fenomenologia e das previsão do atos e fatos do futuro chegaram a conclusão que esse é um ano dois.

Dois. Isso. Uma soma dos algarismos componentes do ano, 2009 - 2 + 0 + 0 + 9, noves fora e temos como resultado o número dois. Dizem que o dois é um número que exige recolhimento, introspecção e estudo. Não é um ano que recomende sair realizando à lá louca, mas um ano que exige um estado de excitação contida, de cautela e estudo.

No popular: não é um ano recomendável para "porra louca" (sem hífen, eu acho que essa coisa caiu ou juízo e hífen nunca existiram em porra louca), se é que me entendem. Eu, que sempre fiz o gênero cagão, não preciso me preocupar com o modo de proceder durante o ano de 2009. Basta seguir o meu modus operandi habitual, isso é, continuar a ser um cauteloso cagão.

Mas o pessoal aceleradinho deve tomar lá os seus cuidados, baixar o ritmo, a frequência (outra palavra que perdeu as aspinhas, o trema, mas dizem que, mesmo sem o trema, continua tremendo ao ser pronunciada - aqui você ganha mais do que perde, aprende até um pouco de língua) e encarar o ano com mais calma.

Seja como for, desejo um feliz 2009 para todos!

Sunday, November 16, 2008

Essências

A essência do bem viver é ser feliz. Para ser feliz só é preciso uma coisa: ser. Ser feliz é ignorar todo o resto e ser feliz. Para viver feliz, basta ser feliz. Ser feliz não é ter ou não ter, é ser. Se você é feliz o resto é resto. Ser feliz não admite conjunções adversativas. Quem concede não é feliz. Ninguém é feliz apesar: é feliz e é só. Só se vive uma vez: viva feliz. Tudo é melhor aos olhos de quem é feliz. Não preciso de ninguém para ser feliz. Não são os outros que me fazem feliz. Não imponha condições para ser feliz, seja.

Sunday, November 02, 2008

Atemporais

Gosto dos assuntos atemporais. Gosto de falar de coisas não datadas. Gosto de tratar das coisas sem agenda, do natal no carnaval. Gosto do frio no verão, do calor de uma canção, num dia de luar. Pleno sol, futebol, mal de amor, sensações, de seguir instruções pra não ser triste assim.

Gosto dos imensos contra-sensos. Da calada concordância de que existe diferenças gritantes entre nós. Dos silêncios do depois. Gosto das manhãs, das sombrias tardes, das noites poluídas de luz. Gosto de sentir tua ausência tão presente quando sais. Gosto porque gosto. Gosto de gostar. De ti.
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© Ronaldo Souza - 2008

Friday, October 31, 2008

Os doms

As escrituras asseguram que "a quem muito foi dado, muito será cobrado". Essa frase complementa outra afirmação de Cristo, quando na cruz implorou perdão ao Pai para os seus algozes: "Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem" - disse Cristo. Jesus sabia que, aos seus algozes, nada tinha sido dado, achava, pois, justo de que nada lhes fosse cobrado.

Contrário senso, para aqueles que conhecem a palavra, que sabem os mandamentos e os desígnios de Deus muito será cobrado. Pagaremos de acordo com os talentos que recebemos, segundo nos ensina a Parábola dos Talentos: "Aquele que muito tem mais lhe será dado, e a aquele que nada tem, o pouco que tem lhe será tirado".

Para os vendilhões do templo, para os vendedores de indulgências, Jesus disse: "Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes". Não crê, pois, nesses vendedores de graças e de bençãos.

Thursday, October 23, 2008

Na boa...

Estou sentado numa boa e confortável cadeira na frente do monitor do computador. Confesso que chego a sentir remorso pelo que sinto no momento: estou de bem com a vida, com o mundo, com as pessoas, enfim, estou na boa.

Essa minha sensação não decorre de nada em especial e, por isso mesmo, ela é tão especial. É bom sentir-se bem por sentir-se bem, não é mesmo? Não precisar de um estímulo externo, de nenhuma notícia alvissareira. Estar bem por estar bem.

Estou com os fones de ouvidos e ouço a voz e o ritmo magníficos de Amy Winehouse cantando "You known I'm no good" numa saborosa versão remixada - e o que dizer desse saxofone? Com a música me acompanha uma xícara de café preto, sem açúcar que de doce já basta a vida.

O que mais posso querer da vida? Vou dar uma de miss e dizer que agora só me falta "a paz mundial". Hehehe...

Tuesday, September 30, 2008

Dose Diária

Espero o teu sorriso
Que esquinas do dia
E nas noites sem lua
É minha luz, é alegria
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Ronaldo Souza - 2008

Wednesday, September 10, 2008

Um pitbull de batom

Sara Palim, governadora do Alasca e candidata a vice-presidência na chapa republicana com John McCain, se definiu como uma ''hockey mom'', a americana típica mãe de um jovem praticante de hóquei. E afirmou que só existe uma diferença uma ''hockey mom'' e um pitbull: o batom.

A mensagem não deixa dúvidas: "- Não confundam minha imagem feminina e maternal com pacifismo, eu estou disposta a comprar qualquer briga!" E essa afirmação configura uma grande mudança dos nossos tempos: estão acabando as mulheres dóceis, vivemos tempos em que retorna o matriarcado, renascem as amazonas.

Sem nenhuma conotação sexista, i.e. sem tomar partido, a grande lástima de tudo isso é a constatação de que não há espaço para afeto ou humanidade no mundo do poder. O espaço é privativo, não dos homens, mas dos que souberem ser verdadeiros pitbulls... 

Thursday, July 03, 2008

Liberdade

Há muitos anos li a seguinte frase, que se achava escrita nos muros de um quartel do exército em Porto Alegre: "Nego, em nome dos vossos princípios, a liberdade que me exigis em nome dos meus". Confesso que demorei um certo tempo para compreender o sentido da frase.

Fruto da época em que viviamos sob uma ditadura militar, a frase era um claro ecado para os defensores da "democracia do pensamento único", os revolucionários que tentaram implantar um regime comunista no Brasil nos moldes do regime cubano.

E a frase faz sentido: como podiam os revolucionários da época exigir um tratamento democrático para que pudessem levar o país a um regime antidemocrático? Hoje, com a história recontada conforme o interesse daqueles que querem mudar a história há uma mistura de alhos e bugalhos.

Se é certo que muitos lutaram pelo restabelecimento da democracia no país, isso não se aplica a todos, pois nem todos eles eram democratas. Muitos defendiam a instituição de um regime de partido único no país - idéia claramente totalitária e antidemocrática. São os lobos fantasiados de cordeiros de hoje, e que se passam por "defensores eternos da democracia" - verdadeiros hipócritas!

Não é por outro motivo que até hoje não foram abertos os chamados "arquivos da ditadura". Para muitos não é conveniente que certas verdades venham à tona, que sejam do conhecimento do público, preferem que todos fiquem com a atual história requentada e recontada que mais lhes convém.

Mas, como dizem, a mentira tem pernas curtas, e mais cedo ou mas tarde...

Thursday, June 19, 2008

Os vendilhões do templo

Há um capítulo no Novo Testamento Cristão (Jo, 13-26) que trata sobre a comercialização da fé. Intitulado "A Expulsão dos Vendilhões do Templo", nele Jesus Cristo expulsa os vendilhões - vendilhão, segundo o dicionário Aurélio, significa "aquele que trafica coisas de ordem moral", um grupo de comerciantes que se postavam nas escadarias dos templos com a intenção de vender coisas aos fiéis.

Pois a nossa santa Igreja Católica Apostólica Romana pratica a máxima do "façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço". Vou falar da venda de um dos sacramentos, do matrimônio. A cerimônia sempre foi uma grande fonte de lucros para a Igreja, principalmente porque a maioria não vê o lado da fé, mas o lado social do evento. Casar na igreja transformou-se na aprovação social do matrimônio, uma forma de publicização do evento.

Este é um caso em que a relação entre fornecedor e consumidor é contemplada, se faz com uma, vamos dizer, razoável possibilidade de acordo, e sem muitas farpas. pela forma como é conduzido por uma das partes. Não haveria, pois, porque se falar no assunto, já que "estão as partes justas e acertadas". Então por que eu falo?

Falo porque acho que se deve separar as coisas, apartar a fé do ato comercial. Pela natureza do acordo, deve-se buscar a norma para a concretização do ato, não nas Sagradas Escrituras, mas no Código de Defesa do Consumidor. Você sabe como funciona essa verdadeira indústria dentro das igrejas?

É uma verdadeira afronta ao código do Consumidor: monopolista, com venda casada, claúsulas de um contrato de mera adesão, sem discussão. Para realizar a cerimônia, metem a mão na sua carteira sem a menor cerimônia! Sem o menor pudor! Você só tem uma opção: aceite que você só quer um evento social, pague e não discuta!

Sunday, June 01, 2008

Sal da idade

Um tempero do tempo que adiciona algum sabor aos anos. Será o sal da idade? Serão saudades? Sei que são histórias, memórias, uma montanha de lidas vividas no dia-a-dia, de subidas e descidas nessa caminhada da vida. Poetizar o passado? Viver das glórias passadas, dos tempos idos? Viver, só viver, sobreviver. Ou sobre tudo e sobre todos, viver.

O que deixo são traços, perco pedaços, e sofro. Muito. Queria manter-me uno, inteiro. Mas sou apenas, fragmentos, o que restou. um monumento, uma estátua que se conforma de momentos. Bons e maus, nem mesmo sei se serei capaz de recontar ao mundo a minha história. Falta vontade, falta memória. Ademais, quem quer ouvir?

Wednesday, May 21, 2008

Assumir os riscos

Diz a piada que nessa vida tudo é passageiro, menos o cobrador e o motorista. Fora a evidente brincadeira, a verdade é que nessa vida você é condutor ou conduzido, não há um meio-termo, não há possibilidade de ficar em cima do muro. Participar ativamento do processo requer desapego, coragem, decisão que nem todos têm, ou estão dispostos a correr os riscos necessários para tal.

Muito mais fácil é ficar observando, deixando para outrem a tarefa de liderar, de desbravar. Ser conduzido não exigem muito, quase nada. Normalmente os que assim procedem, sentem ciúmes dos aventureiros, daqueles que assumem os riscos. Certamente querem o bônus sem o ônus, Não é o que normalmente se veê por aí?


Wednesday, April 23, 2008

Conjunções Adversativas

A vida é composta por conjunções adversativas. Elas sinalizam a alternância de bons e maus momentos. E são essas mudanças qie nos asseguram a continuidade da vida, apesar de tudo e de todos. E quem são esses todos, senão nós? Somos os imperfeitos numa natureza perfeita.

As notícias nos assustam: violência, e as mortes não naturais - porque é preciso ver a morte como parte integrante da vida - acontecendo a todo instante, algumas com requintes de crueldade, cujos detalhes mórbidos são explorados pela mídia, porque interessa-nos saber desses detalhes, porque temos uma curiosidade mórbida, somos ávidos por esses detalhes.

Vejo pessoas condenarem o trabalho dos paparazzi, esses fotógrafos que perseguem as celebridades para vender as imagens para jornais e revistas. Para esses digo que esse mercado só existe porque existem pessoas interessadas nesse tipo de imagem. Assim é para os que criticam a cobertura da imprensa para esses casos rumorosos, como ~e o caso do assassinato da menina Isabela Nardoni.

Tivéssemos uma outra atitude em relação a esses casos e a imprensa se comportaria diferentemente. Com nosso interesse mórbido pelo assunto é que emprestamos legitimidade à imprensa.

Thursday, April 10, 2008

Sabedoria

"O homem é um ser tão maravilhosamente perfeito, que é humanamente impossível que tenha sido criado por alguém tão estúpido como um homem". Ronaldo Souza.

Saturday, April 05, 2008

Cegueiras providenciais

Há coisas que preferimos não ver. Nada a ver com o sentido da visão. Falo ver com o sentido de perceber, tomar conhecimento de um fato, um ver além do olhos. Desenvolvemos uma cegueira seletiva, um véu que nos atrapalha a capacidade de cognição. Uma parvice por opção.

Quando assim procedemos, alegamos autodefesa, como uma forma de evitar sofrimento. Claro está que ninguém - exceto, talvez um masoquista - preferirá o caminho do sofrimento se puder evitá-lo. Falei em parvice porque é um procedimento de parvos, que é exatamente o que é quem sabe de alguma coisa e finge que não sabe.

E assim vivem os que optam pelo caminho da parvorice. Eu e mais quem?

Tuesday, February 26, 2008

Paixões

Diferenciamos os nossos sentimentos, submetendo-os a uma classificação, uma graduação do ato de gostar. Gostamos, apaixonamo-nos, amamos alguém, diferentes formas de expressar o nosso sentir, de proclamar o nosso afeto. Como toda classificação, nesse caso, o sentimento deve estar sujeito à diversos graus, conforme o comprometimento com alguém. Difícil é dizer onde acaba um e começa o outro sentimento nessa escala de valores do sentir.

Paixão, do Lat. passione, sofrimento. s. f., sentimento excessivo; amor ardente; afecto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação; sofrimento intenso e prolongado; parcialidade. Nessa definição dicionariana, a paixão assume formas tão diversas quanto "amor ardente" e "cólera". O termo parece querer representar um amor desajuizado, irracional, se é que é possível achar alguma razão no ato de gostar.

E são as paixões nacionais, pelo futebol, pelas novelas, pela vida das celebridades e pelo carnaval que se enquadram nesse "gostar irracional". Gostamos, e gostamos desajuizadamente, sem medidas, de coisas pouco construtivas para uma nação. Tivéssemos paixão pela justiça, pela ordem e pelo progresso e esse país seria bem diferente.

Thursday, February 21, 2008

A Mais Profunda Falta

Sinto a tua falta, a incompletude deixada pela tua ausência, que assume a forma de uma lacuna eterna, pois que tu nunca estivestes fisicamente presente ao meu lado. Talvez isso só venha a comprovar como é importante a presença espiritual das pessoas, porque fostes a minha companhia espiritual por um longo tempo, sem que, talvez, nunca ficasses sabendo disso.

Não vou chorar a tua falta com as lágrimas que os olhos podem ver, chorarei com as lágrimas cá dentro do meu coração. Chorarei em mim e para mim. Acho que essa é a mais dolorida das dores, a dor que não aflora, que pede passagem e a gente não libera, censura, proíbe, oculta, guarda pra sempre.

Dorme bem meu amor, sem mim, como sempre, que sempre foi assim e, parece, sempre será, até o fim dos nossos tempos...

Sunday, February 10, 2008

Balançando

A vida balança, me sacode, mexe, muda, sempre alternando as posições. É um sobe e desce de valores, de idéias, opiniões e situações. Sou um ser instável, balanço também, como se a linha da vida evoluíssse numa corda bamba. Mudo eu, mudam os parâmetros de avaliação, tudo evoluí.

Viver é transformar-se, adaptar-se, e também resistir as mudanças que julgamos inapropriadas. É preciso seguir uma receita que prega coerência, atendendo ao senso comum, mas evitar ser taxado de continuista, manter espírito inovador.

Nem sempre consigo seguir esse receituário, erro. Busco corrigir, acertar o rumo. A vida é assim mesmo; para ser feliz é necessário saber-se imperfeito, falível.

Friday, January 18, 2008

Esse vilão!

Hoje é dezoito de janeiro de 2008. Dizer a data de hoje é dizer pouco; talvez muito seja saber que ontem mesmo comemoramos o primeiro dia do ano e já se passaram desde então dezoito dias! Tudo isso é óbvio, como é óbvio que a nossa vida é breve. Já dizia Cazuza nos seus versos: "Vida louca vida, vida breve/ Já que eu não posso te levar/ Quero que você me leve..."

Essa consciência da brevidade é que deve nos nortear na direção da única possíbilidade: extrair o máximo do aqui e do agora. Carpe Diem!