Tuesday, September 30, 2008

Dose Diária

Espero o teu sorriso
Que esquinas do dia
E nas noites sem lua
É minha luz, é alegria
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Ronaldo Souza - 2008

Wednesday, September 10, 2008

Um pitbull de batom

Sara Palim, governadora do Alasca e candidata a vice-presidência na chapa republicana com John McCain, se definiu como uma ''hockey mom'', a americana típica mãe de um jovem praticante de hóquei. E afirmou que só existe uma diferença uma ''hockey mom'' e um pitbull: o batom.

A mensagem não deixa dúvidas: "- Não confundam minha imagem feminina e maternal com pacifismo, eu estou disposta a comprar qualquer briga!" E essa afirmação configura uma grande mudança dos nossos tempos: estão acabando as mulheres dóceis, vivemos tempos em que retorna o matriarcado, renascem as amazonas.

Sem nenhuma conotação sexista, i.e. sem tomar partido, a grande lástima de tudo isso é a constatação de que não há espaço para afeto ou humanidade no mundo do poder. O espaço é privativo, não dos homens, mas dos que souberem ser verdadeiros pitbulls... 

Thursday, July 03, 2008

Liberdade

Há muitos anos li a seguinte frase, que se achava escrita nos muros de um quartel do exército em Porto Alegre: "Nego, em nome dos vossos princípios, a liberdade que me exigis em nome dos meus". Confesso que demorei um certo tempo para compreender o sentido da frase.

Fruto da época em que viviamos sob uma ditadura militar, a frase era um claro ecado para os defensores da "democracia do pensamento único", os revolucionários que tentaram implantar um regime comunista no Brasil nos moldes do regime cubano.

E a frase faz sentido: como podiam os revolucionários da época exigir um tratamento democrático para que pudessem levar o país a um regime antidemocrático? Hoje, com a história recontada conforme o interesse daqueles que querem mudar a história há uma mistura de alhos e bugalhos.

Se é certo que muitos lutaram pelo restabelecimento da democracia no país, isso não se aplica a todos, pois nem todos eles eram democratas. Muitos defendiam a instituição de um regime de partido único no país - idéia claramente totalitária e antidemocrática. São os lobos fantasiados de cordeiros de hoje, e que se passam por "defensores eternos da democracia" - verdadeiros hipócritas!

Não é por outro motivo que até hoje não foram abertos os chamados "arquivos da ditadura". Para muitos não é conveniente que certas verdades venham à tona, que sejam do conhecimento do público, preferem que todos fiquem com a atual história requentada e recontada que mais lhes convém.

Mas, como dizem, a mentira tem pernas curtas, e mais cedo ou mas tarde...

Thursday, June 19, 2008

Os vendilhões do templo

Há um capítulo no Novo Testamento Cristão (Jo, 13-26) que trata sobre a comercialização da fé. Intitulado "A Expulsão dos Vendilhões do Templo", nele Jesus Cristo expulsa os vendilhões - vendilhão, segundo o dicionário Aurélio, significa "aquele que trafica coisas de ordem moral", um grupo de comerciantes que se postavam nas escadarias dos templos com a intenção de vender coisas aos fiéis.

Pois a nossa santa Igreja Católica Apostólica Romana pratica a máxima do "façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço". Vou falar da venda de um dos sacramentos, do matrimônio. A cerimônia sempre foi uma grande fonte de lucros para a Igreja, principalmente porque a maioria não vê o lado da fé, mas o lado social do evento. Casar na igreja transformou-se na aprovação social do matrimônio, uma forma de publicização do evento.

Este é um caso em que a relação entre fornecedor e consumidor é contemplada, se faz com uma, vamos dizer, razoável possibilidade de acordo, e sem muitas farpas. pela forma como é conduzido por uma das partes. Não haveria, pois, porque se falar no assunto, já que "estão as partes justas e acertadas". Então por que eu falo?

Falo porque acho que se deve separar as coisas, apartar a fé do ato comercial. Pela natureza do acordo, deve-se buscar a norma para a concretização do ato, não nas Sagradas Escrituras, mas no Código de Defesa do Consumidor. Você sabe como funciona essa verdadeira indústria dentro das igrejas?

É uma verdadeira afronta ao código do Consumidor: monopolista, com venda casada, claúsulas de um contrato de mera adesão, sem discussão. Para realizar a cerimônia, metem a mão na sua carteira sem a menor cerimônia! Sem o menor pudor! Você só tem uma opção: aceite que você só quer um evento social, pague e não discuta!

Sunday, June 01, 2008

Sal da idade

Um tempero do tempo que adiciona algum sabor aos anos. Será o sal da idade? Serão saudades? Sei que são histórias, memórias, uma montanha de lidas vividas no dia-a-dia, de subidas e descidas nessa caminhada da vida. Poetizar o passado? Viver das glórias passadas, dos tempos idos? Viver, só viver, sobreviver. Ou sobre tudo e sobre todos, viver.

O que deixo são traços, perco pedaços, e sofro. Muito. Queria manter-me uno, inteiro. Mas sou apenas, fragmentos, o que restou. um monumento, uma estátua que se conforma de momentos. Bons e maus, nem mesmo sei se serei capaz de recontar ao mundo a minha história. Falta vontade, falta memória. Ademais, quem quer ouvir?

Wednesday, May 21, 2008

Assumir os riscos

Diz a piada que nessa vida tudo é passageiro, menos o cobrador e o motorista. Fora a evidente brincadeira, a verdade é que nessa vida você é condutor ou conduzido, não há um meio-termo, não há possibilidade de ficar em cima do muro. Participar ativamento do processo requer desapego, coragem, decisão que nem todos têm, ou estão dispostos a correr os riscos necessários para tal.

Muito mais fácil é ficar observando, deixando para outrem a tarefa de liderar, de desbravar. Ser conduzido não exigem muito, quase nada. Normalmente os que assim procedem, sentem ciúmes dos aventureiros, daqueles que assumem os riscos. Certamente querem o bônus sem o ônus, Não é o que normalmente se veê por aí?


Wednesday, April 23, 2008

Conjunções Adversativas

A vida é composta por conjunções adversativas. Elas sinalizam a alternância de bons e maus momentos. E são essas mudanças qie nos asseguram a continuidade da vida, apesar de tudo e de todos. E quem são esses todos, senão nós? Somos os imperfeitos numa natureza perfeita.

As notícias nos assustam: violência, e as mortes não naturais - porque é preciso ver a morte como parte integrante da vida - acontecendo a todo instante, algumas com requintes de crueldade, cujos detalhes mórbidos são explorados pela mídia, porque interessa-nos saber desses detalhes, porque temos uma curiosidade mórbida, somos ávidos por esses detalhes.

Vejo pessoas condenarem o trabalho dos paparazzi, esses fotógrafos que perseguem as celebridades para vender as imagens para jornais e revistas. Para esses digo que esse mercado só existe porque existem pessoas interessadas nesse tipo de imagem. Assim é para os que criticam a cobertura da imprensa para esses casos rumorosos, como ~e o caso do assassinato da menina Isabela Nardoni.

Tivéssemos uma outra atitude em relação a esses casos e a imprensa se comportaria diferentemente. Com nosso interesse mórbido pelo assunto é que emprestamos legitimidade à imprensa.

Thursday, April 10, 2008

Sabedoria

"O homem é um ser tão maravilhosamente perfeito, que é humanamente impossível que tenha sido criado por alguém tão estúpido como um homem". Ronaldo Souza.

Saturday, April 05, 2008

Cegueiras providenciais

Há coisas que preferimos não ver. Nada a ver com o sentido da visão. Falo ver com o sentido de perceber, tomar conhecimento de um fato, um ver além do olhos. Desenvolvemos uma cegueira seletiva, um véu que nos atrapalha a capacidade de cognição. Uma parvice por opção.

Quando assim procedemos, alegamos autodefesa, como uma forma de evitar sofrimento. Claro está que ninguém - exceto, talvez um masoquista - preferirá o caminho do sofrimento se puder evitá-lo. Falei em parvice porque é um procedimento de parvos, que é exatamente o que é quem sabe de alguma coisa e finge que não sabe.

E assim vivem os que optam pelo caminho da parvorice. Eu e mais quem?

Tuesday, February 26, 2008

Paixões

Diferenciamos os nossos sentimentos, submetendo-os a uma classificação, uma graduação do ato de gostar. Gostamos, apaixonamo-nos, amamos alguém, diferentes formas de expressar o nosso sentir, de proclamar o nosso afeto. Como toda classificação, nesse caso, o sentimento deve estar sujeito à diversos graus, conforme o comprometimento com alguém. Difícil é dizer onde acaba um e começa o outro sentimento nessa escala de valores do sentir.

Paixão, do Lat. passione, sofrimento. s. f., sentimento excessivo; amor ardente; afecto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação; sofrimento intenso e prolongado; parcialidade. Nessa definição dicionariana, a paixão assume formas tão diversas quanto "amor ardente" e "cólera". O termo parece querer representar um amor desajuizado, irracional, se é que é possível achar alguma razão no ato de gostar.

E são as paixões nacionais, pelo futebol, pelas novelas, pela vida das celebridades e pelo carnaval que se enquadram nesse "gostar irracional". Gostamos, e gostamos desajuizadamente, sem medidas, de coisas pouco construtivas para uma nação. Tivéssemos paixão pela justiça, pela ordem e pelo progresso e esse país seria bem diferente.

Thursday, February 21, 2008

A Mais Profunda Falta

Sinto a tua falta, a incompletude deixada pela tua ausência, que assume a forma de uma lacuna eterna, pois que tu nunca estivestes fisicamente presente ao meu lado. Talvez isso só venha a comprovar como é importante a presença espiritual das pessoas, porque fostes a minha companhia espiritual por um longo tempo, sem que, talvez, nunca ficasses sabendo disso.

Não vou chorar a tua falta com as lágrimas que os olhos podem ver, chorarei com as lágrimas cá dentro do meu coração. Chorarei em mim e para mim. Acho que essa é a mais dolorida das dores, a dor que não aflora, que pede passagem e a gente não libera, censura, proíbe, oculta, guarda pra sempre.

Dorme bem meu amor, sem mim, como sempre, que sempre foi assim e, parece, sempre será, até o fim dos nossos tempos...

Sunday, February 10, 2008

Balançando

A vida balança, me sacode, mexe, muda, sempre alternando as posições. É um sobe e desce de valores, de idéias, opiniões e situações. Sou um ser instável, balanço também, como se a linha da vida evoluíssse numa corda bamba. Mudo eu, mudam os parâmetros de avaliação, tudo evoluí.

Viver é transformar-se, adaptar-se, e também resistir as mudanças que julgamos inapropriadas. É preciso seguir uma receita que prega coerência, atendendo ao senso comum, mas evitar ser taxado de continuista, manter espírito inovador.

Nem sempre consigo seguir esse receituário, erro. Busco corrigir, acertar o rumo. A vida é assim mesmo; para ser feliz é necessário saber-se imperfeito, falível.

Friday, January 18, 2008

Esse vilão!

Hoje é dezoito de janeiro de 2008. Dizer a data de hoje é dizer pouco; talvez muito seja saber que ontem mesmo comemoramos o primeiro dia do ano e já se passaram desde então dezoito dias! Tudo isso é óbvio, como é óbvio que a nossa vida é breve. Já dizia Cazuza nos seus versos: "Vida louca vida, vida breve/ Já que eu não posso te levar/ Quero que você me leve..."

Essa consciência da brevidade é que deve nos nortear na direção da única possíbilidade: extrair o máximo do aqui e do agora. Carpe Diem!

Sunday, January 06, 2008

Por que eu escrevo?

É fácil responder porque eu escrevo: - Escrevo por um simples motivo, por não saber desenhar. A rigor eu não escrevo, eu descrevo, que é uma forma pobre de desenhar, é um desenhar escrevendo. Gostaria, tivesse o dom, de ser um cartunista, adoro a instantâneidade, a velocidade dos cartoons. De outro lado, descrever é um processo lento, tempo-consumista, e que exige paciência dos dois lados: de quem escreve e de quem lê.

O cartoon traz consigo o poder explosivo do aqui e agora. Podem pensar que eu não tentei o suficiente. Talvez estejam com a razão. Confesso que peguei papel e lápis, e depois de uns rabiscos para cá e para lá, cheguei à conclusão que não havia nascido para a coisa. Descontente com o resultado final e, como sempre tive a mania dos conhecimento inatos, ou auto-adquiridos, nunca fui de me submeter a cursos. Teimosia, bobeira, tivesse ido a um curso de desenho e talvez dominasse a técnica.

Virei um rabiscador de textos, um catador de palavras que representem imagens, nunca serei um escritor, nunca passarei de um desenhista frustrado, um descritor.

Saturday, December 29, 2007

Aversões

Desenvolvi uma aversão pela chamada bolsa de valores. Nada pessoal, nunca ganhei ou perdi um único centavo nessa organização, ao menos na condição de investidor - assalariado e mau poupador, nunca tive capital para investir em nada. Nem sou um opositor desse tipo de investimento, que só conheço superficialmente. Mas minha aversão não é gratuíta, ela tem base, razões, motivos.

A bolva de valores - ao menos para mim, um leigo no assunto - se assemelha em muito a um cassino, a uma casa de jogos, onde se aposta numa série de eventos futuros, desde o preço de uma ação, a vários tipos de mercados futuros. Não vejo nenhum problema nisso, investe quem quer (ou quem pode), joga quem quer, sei que essas ações capitalizam as emprêsas e dinamizam a economia do país.

O que não me parece nada justo, é essa espécie de espada de Dâmocles que paira sobre a cabeça de todos, essa ameaça que parte do princípio de que se a bolsa de valores for mal, se os investidores perderem dinheiro, todos perdem, inclusive os que não são investidores. Aquela injustiça capitalista bem conhecida do privatizar os lucros e sociabilizar os prejuízos.

Por esse motivo - semelhante ao famoso "choque sistêmico^ usado para justificar a ajuda governamental aos bancos privados - é que não gosto nem de ouvir notícia sobre a bolsa de valores. Não haveria um meio menos danoso de incentivar investimentos?

Friday, December 21, 2007

183.987.291

Cento e oitenta e três milhões, novecentos e oitenta e sete mil, duzentos e noventa e um. Este é o nosso número, ou o número que expressa quantos somos, o número que nos representa. Somos, cada um de nós, uma unidade formadora desse todo, uma minúscula parte dessa montanha de gente. Um muito que parece muito quando comparado a um pequeno emodesto Uruguai, ou muito que parece quase nada quando comparado a uma bilhonária China ou a uma Índia.

Somos muitos, e - característica marcante dos grupos que formam muitos - somos diversos. talvez excessivamente diversos para que possamos ser chamados de nação - que subentende um todo - ou de um só povo. E, no entanto, é isso que somos. E essas diferenças nos fazem pouco unidos, menos em características e mais em ideais. Assim, vamos vivendo em um país que abriga vários, uma nação multifacetada, esfarrapada.

183.987.291. Não será esse número, ou qualquer outro número absoluto que nos fará grandes. Dentro desse universo se escondem estatísticas terríveis, tristes, números que nos fazem menor, pequenos, nos tornam -ainda! - uma sub-nação...

Wednesday, November 21, 2007

Limitação

Vivo no crediário: em suaves prestações. Quisera - o que é uma forma verbal de quimera! - um viver à vista, viver de um todo, aos nacos, no taco, com bons e incomedidos bocados, deseducados! Desses que te deixam lambusado, saciado, refestelado, enfastiado.

Mas não! Sigo cansado nessa vida franciscana, econômica, dietética. Num viver comedido, de passarinho, viver pouquinho, limitado. Dizem que, assim, vou longe. Longe quanto? Longr aonde? Questào de tempo? Nessa já insuportável economia de vida. Vida no banco, vida em branco. Pura.

Quero o pecado da gula! O perigo das misturas! Venenos? Benvindos sejam!

Monday, June 25, 2007

Carências

Ela me considera propriedade sua. Não diz isso muito, mas age como dona. Tem a propriedade do todo, do geral, mas descuida do particular, das partes que integram o todo. O que sou eu? Uma massa disforme, um todo sem individualidade que forma um um qualquer? Ou serei um conjunto de pequenas partes, peculiares, próprias, que me dão personalidade (formam a persona)?

Soa mais ou menos assim: esse monte aí é meu!

E meus olhos não vêem outros olhos a brilhar; minha pele não sente o contato, o carinho do teu toque; teus lábios não visitam os meus; eu preciso tanto do teu abraço! De uma demonstração de afeto, de calor, que me faça sentir que sou gente.

Ou então libere minhas asas e me deixe voar...

Friday, June 22, 2007

Travestido

Chegou o inverno travestido de verão. Depois de um outono invernal, entramos num inverno estival. Entramos no inverno e os termômetros desafiam a estação marcando imponentes 30 graus centígrados. Os mais impressionados dizem que é mais uma das conseqüências das mudanças climáticas no planeta, e que vamos acabar como assados numa grande fornalha (cruzes!).

Eu não sei o que dizer. Não confio nesse veranico de junho, não por ser desconfiado, mas por ter ouvido os metereologistas alertando para a chegado de uma nova "frente fria" trazida por deus Eolo no próximo final de semana. Aprontem-se para menos de 10 graus, ameaçam eles!

O melhor dos calores é o que vem da alma, o pior do frios é o que mora nela.

Sunday, June 17, 2007

Onde mora a beleza?

Dizem que fotografar flores é covardia. Eu confesso: sou um covarde. Eu adoro fotografar flores. Não consigo passar por uma sequer sem tirar uma foto e, mesmo que não esteja com a câmara, fotografo mentalmente!

E não pense que só me atenho às rosas, formosas, que vejo em qualquer flor uma beleza, pode ser a mais simples flor do campo. Isso só prova uma coisa: beleza não é uma característica exterior, mas algo que mora cá dentro da gente.

Quem vive e convive com a beleza consegue exteriorizar seu sentimento, identificando o belo no outro.